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Prevenção do Suicídio

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Suicídio: precisamos falar sobre isso!!

Quando ouvimos um relato de tentativa suicídio, ouvimos uma pessoa  falar de um sofrimento insuportável e de uma angústia tamanha, impossível de explicar. Relatam que os momentos que antecederam as tentativas, foram tomados por um sentimento de tristeza ou de raiva de grande proporção, que o levou a querer “ terminar com isso”.É como se o sofrimento atingisse seu ápice e a morte surgisse aí, como a única solução possível,  mas não por que se deseja morrer, na verdade  não sabemos o que é morte, pois não existe um registro no inconsciente do que seja a morte para alguém. É impossível imaginarmos a própria morte e sempre que tentarmos fazer isso, ainda assim, estaremos presentes enquanto  espectadores. Mas, por que então alguém que não quer morrer, acaba investindo contra a própria vida?

Nos transtornos mentais severos como esquizofrenia, o sujeito pode ser levado a tentar contra a vida em função dos delírios e alucinações decorrentes do transtorno. O suicida não quer morrer, ele quer matar o “sofrimento” que o habita.  Então, que sofrimento é este? É muito individual e faz parte da história de cada pessoa. Quase sempre, é algo desconhecido até mesmo para o próprio sujeito. É daí, deste “desconhecido” que surgem as queixas de um sofrimento para além do suportável, desta angústia que toma conta, mas que não sabem explicá-la..

Sintomas depressivos, como tristeza profunda, apatia, isolamento, raiva, são decorrentes deste desconhecido, é um desfecho de uma série de fatores que se acumulam na vida do individuo e serão, quase sempre, os precipitadores da ação, da “Passagem ao Ato” como dizemos em Psicanálise, e mesmo não sendo fator causal, serão estes sintomas que irão dar notícias de que  algo não vai bem e de que esta pessoa necessita de ajuda. Neste sentido, para prevenir, é preciso dar voz aos sintomas, são através deles que se conseguirá amenizar o sofrimento, apaziguar a angústia e com isso, diminuir o risco de  suicídio. E necessário contestar o dito popular de que quem fala que irá se matar “não o faz,”  só quer chamar a atenção. Sim, chamar a atenção para este sofrimento, que quando  endereçado a alguém é um pedido  de socorro.

O suicídio por si só, é uma questão muito complexa, por estar relacionado a transtornos mentais severos, a sofrimentos e conflitos psíquicos que não podem ser mensurados e somando-se a isso, o estigma social que os transtornos mentais  carregam, dificulta muito  a procura por ajuda. A prevenção muitas vezes não é discutida porque não há entendimento de que o suicídio além de ser um grave problema de saúde pública, envolve também questões sociais, de educação, de direito e cidadania e de trabalho. E quando se pensa em Saúde Pública, pensamos em números, pois as ações são desenvolvidas a partir de dados, de um perfil-diagnóstico e epidemiológico dos casos, considerando  todos fatores de risco envolvidos.

De acordo com Secretaria Municipal de Saúde/Departamento de Vigilância em Saúde, no Município de Francisco Beltrão, entre os anos  de 2012 a 2016, foram notificados 57 casos de morte por suicídio  e 140 casos de tentativas de suicídio. A  maior causa dos suicídios foi por enforcamento e o maior número das tentativas foi pelo uso de medicação, sendo que entre os óbitos  a maioria foi efetivada por homens, cerca de 82%  e as tentativas foram realizadas por mulheres com 72%. O que chama muito atenção e nos preocupa nas tentativas de suicídio é a idade, que gira em torno de 20 a 39 anos, ou seja, pessoas muito jovens com sofrimento muito grande. Em relação ao nível de escolaridade possuem o ensino fundamental incompleto. Quanto ao local de ocorrência, a maioria dos suicídios, bem como as tentativas, aconteceram na própria residência. De acordo com dados da OMS o perfil de  Francisco Beltrão e região, não difere do perfil nacional.

Considerando o alto índice de suicídios e tentativas de suicido na nossa região, o atendimento a este público  esta sendo prioritário. Neste sentido a Secretaria Municipal de Saúde esta desenvolvendo ações junto a rede de Assistência a Saúde,  através  da busca ativa das pessoas que foram notificadas por tentativas de suicídio e averiguar se estão recebendo o atendimento necessário e a realização de protocolos que possam da um suporte mais adequado e  rápido nestes casos, sempre com a preocupação de  ofertar  serviços especializados.

Quando pensamos em Políticas Públicas efetivas no sentido da prevenção do suicídio, estas só serão possíveis e viáveis se houver  um trabalho de rede integrado e inter-setorial que envolva não só aspectos da sáude, mas também  educação,  trabalho e cidadania,  assistência social, esportes e lazer, além de contar com  apoio e envolvimento do Comitê Municipal de Saúde Mental e de algumas Organizações Civis  que vem desenvolvendo um importante trabalho neste sentido. Para que possamos diminuir os índices de morte por suicídio e de tentativas de suicido em nosso Município,  toda a sociedade deve estar engajada nesta luta.

Marina Thibes – psicóloga da secretaria municipal de Saúde de Francisco Beltrão

Kátia Fabielly Schmidt – enfermeira da Vigilância Epidemiológica da secretaria municipal de Saúde de Francisco Beltrão

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