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Forçar afetividade pode contribuir para naturalizar abusos a crianças e adolescentes, diz pesquisadora

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Da assessoria

Fatores da educação podem influenciar a postura de crianças e adolescentes frente a casos de abuso sexual. Segundo a pedagoga Ana Carla Vagliatti, atitudes simples dos pais como forçar o carinho dos filhos com outras pessoas pode naturalizar possíveis atitudes de abusadores.

“Quando se obriga a criança a sentar no colo daquela tia ou beijar a professora contra sua vontade no fim da aula se está naturalizando formas de carinho que a criança não quer e isso pode contribuir para que ela tenha uma postura mais omissa em um possível caso de abuso sexual, pois não saberá se posicionar frente ao violentador”, explicou Ana Carla, que já integrou grupos de estudos de educação sexual e o Núcleo de Estudos e Defesa de Direitos da Infância e da Juventude (Nedij) em Beltrão e atualmente pesquisa a temática da violência sexual em sua tese de doutorado em Educação pela Uem (Universidade Estadual de Maringá).

Ana Carla palestrou na manhã desta quinta-feira (5) durante a abertura da Campanha de Enfrentamento ao Abuso de Crianças e Adolescentes, que prossegue até o fim do mês em Francisco Beltrão com atividades envolvendo pais, alunos e entidades. Neste ano, a campanha pretende reforçar os mecanismos de denúncia de casos de abuso, a exemplo do Disque 100, em que informações podem ser repassadas anonimamente.

De acordo com a pedagoga, em boa parte dos casos de abuso sexual a própria vítima acaba se sentido culpada e também sofre violência psicológica, que afeta a sexualidade para a vida toda, quando não tratada com o devido acompanhamento. Além disso, a maioria dos abusos é cometida por pessoas do círculo intrafamiliar e em independe de posição social: “o violentador não tem um estereótipo, nem classe social, o que acontece é que a população mais pobre procura os serviços públicos e é quem acaba sendo considerado para as estatísticas”, diz Ana Carla.

 

Maioria dos casos entre 13 e 17 anos

Em Francisco Beltrão, casos de abuso sexual contra crianças e adolescentes representam 44% dos atendimentos do Centro de Referência Especializado em Assistência Social (Creas), que também atende violência física, psicológica e negligências com acompanhamento de profissionais. Somente no ano passado, o município registrou 38 casos deste tipo, mais da metade contra adolescentes entre 13 e 17 anos.

Dados do Creas também mostram que o público feminino é o que mais sofre abuso, com 92% dos casos, mas que entre os agressores, nem todos são homens: em 6% dos casos, os abusos foram cometidos por mulheres ou adolescentes meninas. Em 71% dos casos, o agressor integra o círculo intrafamiliar da vítima.

 

Apoios

A Campanha de Enfrentamento ao Abuso de Crianças e Adolescentes irá percorrer escolas e locais públicos durante todo o mês com orientações e uma peça teatral e é realizada pela Secretaria de Assistência Social e Creas com apoio do CMDCA, Conselho Tutelar, Nedij, Poder Judiciário, Ministério Público, 16º Esquadrão de Cavalaria Mecanizado e as polícias Militar e Civil.

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